apropriadamente

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Apropriadamente é uma palavra que encaixa na pintura de Debret. No entanto, o ponto é como analisamos o significado dessa palavra, seu contexto diante da cena da obra.
A hierarquia social brasileira, escravocrata, do século XIX. Apropriadamente, esta pintura é, aos olhos contemporâneos, desconcertantemente reveladora de desigualdade social. Por Jean-Baptiste Debret – Uma Senhora de Algumas Posses em sua Casa, obra de 1823. Pura polpa de Brasil. Certamente isso não existe mais (preciso explicar ironia mesmo?). O olhar de uma época define se nesta cena cabe o advérbio “apropriadamente”. Na verdade, cabe. O ponto é: como reagimos a essa palavra estampada na imagem? Com desconforto ou apropriadamente?

apropriadamente, ela sorriu. desconcertantemente, regrediu. o vento suspirou duas mágoas discretas e antigas em seu rosto pálido.

apropriadamente ou desconcertantemente? o mundo camoniano é desconcertado. mas o mundo dele é nosso. os novos donos da razão absoluta consideram e aprovam o que é apropriado.

ironia é quando falamos sutilmente o contrário do que realmente pensamos. e essa é a metalinguagem da ironia, ter de explicar o que é ironia quando se é irônico. tudo apropriadamente. mas prefiro o desconcertante. mente. acabei de quebrar a palavra para criar novos significados ou para reforçar o mesmo. e, de novo, apropriadamente, usei de outra ironia. ou sarcasmo. metalinguagem apropriada.

eu queria escrever algo belo e racional…

… e crítico e visceral usando a palavra apropriadamente. e desconcertantemente. falar algo profundo sobre o ser humano e suas dores, sobre os ventos que suspiram mágoas simbolistas em rostos ultrarromânticos. eu queria querer-te amar o amor feito caetaníssima precisão. o quereres desapropriado de visão.

o concerto está entre rivalidade e harmonia. e a ironia mudou o significado desta palavra. de uma disputa passou a ser a luta pelo equilíbrio musical. e o desconcerto deixou de ser uma apatia e virou um elogio, deixou de ser uma sem-puta e virou um assombro, algo incrível.

eu queria que olhassem pra meus defeitos…

…como um desconcerto, embora meus concertos internos sejam apropriadamente uma disputa sem vencedor.

por isso, ao me ver, ela sorriu, me abraçou e, desconcertantemente, retraí-me, envergonhado.

o desconcerto do mundo é que ele é injusto com os justos e justo com os injustos, desapropriadamente.

quero desconcertar o universo com meu olhar apropriado

e concertar – com C – meu mundo – com M – num verso musical, impróprio e sábio,

que seja inverso de mim: com distância, espaço e fim.

 

Gostou de “apropriadamente”?

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Resumo do que há no livro:

São personagens atormentados, no limite, que buscam, então, amor e precisam conhecer a si mesmos primeiro. Uma homenagem à vida na figura da minha avó materna (em Os Suicidas). Além disso, é uma ironia sobre nossa relação com a mídia televisiva (em Pano de Fundo).

Uma história de amor que não aconteceu (em Sonhos).

Mas não só isso: também é uma análise sobre os diferentes tipos de crueldade (em Cru). A história de uma criança de rua (ou de várias delas) que não se resolve nunca e parece um círculo vicioso (em Longa história…). São reflexões sobre isolamento social desde o nascimento (em A elipse).

Ainda tem uma história metalinguística, sobre aparências, memória imprecisa e pontos de vista (em As deslembranças), com final surpreendente.

Desse modo, sobra o último conto…

… A Rosa. Este faz parte de uma trilogia ainda inacabada (Pátria Amada). É um conto que usa fatos históricos e personagens reais do Brasil para contar algo inventado: por que o mecânico Otávio de Souza escreveu o poema/letra da música Rosa, de Pixinguinha?

Bom, por que, na verdade, ninguém sabe; assim, o conto inventa o motivo.

Portanto, esse é o argumento…

… para criar a história de amor entre Otávio e Rosa. Paralelamente a esse amor, há um pano de fundo: a história do Brasil, no Rio de Janeiro dos anos 10, 20 e 30 do século XX. Muitos fatos no conto realmente aconteceram.

Algo assim como Forrest Gump, interagindo com personagens históricos. Ou algo como no filme Shakespeare Apaixonado, em que os roteiristas inventaram o motivo do dramaturgo ter escrito Romeu e Julieta. Por isso, o conto A Rosa usa, então, a música para contar a história do Brasil e do romance entre Otávio e Rosa.

O projeto ficou tão bom…

… que o autor F. de Amorim (eu mesmo) começou a segunda parte (que se passa nos anos de 1960 a 1970). E ainda fará a terceira. Todos os contos, contudo, representam uma valorização da poesia, do amor, mas não só isso, porque há também suas dimensões no mundo contemporâneo, ainda que muitas das histórias tenham sido escritas na década de 1990.

Desse modo, continue aqui no site e explore à vontade!!

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