A manhã chegou Mas a noite não se foi

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A manhã chegou Mas a noite não se foi é como a obra de Escher: paradoxal, fluida.
A manhã chegou Mas a noite não se foi tem muita relação com uma obra incrível: Noite e Dia é uma das obras centrais de Maurits Cornelis Escher (1898–1972), mestre das ilusões ópticas e das construções paradoxais. Produzida em 1938, é uma xilogravura: a imagem é talhada na madeira e transferida para o papel com tinta e rolo. Na obra Noite e Dia, Escher cria um paralelo entre dia e noite, separados por pássaros que parecem brotar dos campos, numa metamorfose contínua entre as duas dimensões.

A manhã chegou

Mas a noite não se foi

 

esta nem quis sair

sonhou em até ficar

 

bem juntinha assim

dessa discreta manhã

 

Noite então não foi

porque a manhã não quis e…

 

…os meus olhos sorriram ao ver esse mar de luzes e sombras no ar

meus ouvidos se encantaram com o silêncio do abraço desse amar

noite e manhã sopraram velas tão belas quanto as gotas de luz do sol

e tantos beijos presos no anzol soltos assim nas águas da solidão

 

terminou assim

a noite em prantos sem fim

 

começou assim

a manhã saudosa em mim

 

18 de maio de 2026

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E esta imagem é do meu livro de contos (ah, e não esqueça: compre meu livro os suicidas e outras histórias!). Alguns desses textos escrevi quando estava em Bauru, no mesmo período em que terminei o projeto de conclusão de curso de jornalismo (Caleidoscópio: documentário dos 100 anos de Bauru em 1995, clique para ver o vídeo). Por exemplo, o conto Cru é ambientado numa cidade do interior (claramente inspirado em Bauru).

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Resumo do que há no livro:

São personagens atormentados, no limite, que buscam, então, amor e precisam conhecer a si mesmos primeiro. Uma homenagem à vida na figura da minha avó materna (em Os Suicidas). Além disso, é uma ironia sobre nossa relação com a mídia televisiva (em Pano de Fundo).

Uma história de amor que não aconteceu (em Sonhos).

Mas não só isso: também é uma análise sobre os diferentes tipos de crueldade (em Cru). A história de uma criança de rua (ou de várias delas) que não se resolve nunca e parece um círculo vicioso (em Longa história…). São reflexões sobre isolamento social desde o nascimento (em A elipse).

Ainda tem uma história metalinguística, sobre aparências, memória imprecisa e pontos de vista (em As deslembranças), com final surpreendente.

Desse modo, sobra o último conto…

… A Rosa. Este faz parte de uma trilogia ainda inacabada (Pátria Amada). É um conto que usa fatos históricos e personagens reais do Brasil para contar algo inventado: por que o mecânico Otávio de Souza escreveu o poema/letra da música Rosa, de Pixinguinha?

Bom, por que, na verdade, ninguém sabe; assim, o conto inventa o motivo.

Portanto, esse é o argumento…

… para criar a história de amor entre Otávio e Rosa. Paralelamente a esse amor, há um pano de fundo: a história do Brasil, no Rio de Janeiro dos anos 10, 20 e 30 do século XX. Muitos fatos no conto realmente aconteceram.

Algo assim como Forrest Gump, interagindo com personagens históricos. Ou algo como no filme Shakespeare Apaixonado, em que os roteiristas inventaram o motivo do dramaturgo ter escrito Romeu e Julieta. Por isso, o conto A Rosa usa, então, a música para contar a história do Brasil e do romance entre Otávio e Rosa.

O projeto ficou tão bom…

… que o autor F. de Amorim (eu mesmo) começou a segunda parte (que se passa nos anos de 1960 a 1970). E ainda fará a terceira. Todos os contos, contudo, representam uma valorização da poesia, do amor, mas não só isso, porque há também suas dimensões no mundo contemporâneo, ainda que muitas das histórias tenham sido escritas na década de 1990.

Desse modo, continue aqui no site e explore à vontade!!

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