UX: você ainda sabe do que estamos falando?

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UX: você sabe do que estamos falando? – Texto originalmente desenvolvido por Maira Hess e Fábio de Amorim. Esta é uma versão revista, ampliada e atualizada por Fábio de Amorim em 27 de julho de 2026, baseada no artigo publicado em 30 de março de 2021 (link do original).

UX: você ainda sabe do que estamos falando? Do ponto de ônibus em Carapicuíba à inteligência artificial: entenda por que UX é pesquisa, interpretação humana e responsabilidade ética.
UX: você ainda sabe do que estamos falando? – A imagem é uma metáfora visual conceitual de UX, onde o tablet (interface visível) flutua sobre a profundidade da consciência humana (submersa). Os neurônios e ícones (confiança, emoção, memória) representam a verdadeira experiência processada abaixo da superfície. Imagem criada por IA (Gemini), ilustrando que a UX vai além da tela.

UX é mais do que interface

Quando Maira Hess e eu escrevemos a primeira versão deste artigo, queríamos defender uma ideia simples: UX não era apenas um conjunto de técnicas para melhorar sites e aplicativos. Era uma maneira de compreender pessoas. Cinco anos depois, inteligência artificial, algoritmos, personalização, acessibilidade e automação transformaram o cenário digital. No entanto, a essência permanece. UX continua sendo o estudo da experiência humana diante de um produto, serviço ou ambiente. Interfaces mudam rapidamente; pessoas mudam muito mais devagar.

A experiência acontece na consciência

É comum dizer que UX significa experiência do usuário. A definição está correta, mas incompleta. A experiência não acontece na tela, no botão ou no aplicativo. Ela acontece na consciência de quem interage. Um sistema tecnicamente impecável pode transmitir insegurança; outro, simples, pode gerar confiança. A diferença raramente está apenas na tecnologia. Está na forma como expectativas, cultura, linguagem e emoções encontram aquilo que foi projetado.

O ponto de ônibus ainda ensina

(Vamos relembrar o episódio do ponto de ônibus contado no artigo original)

Anos atrás acompanhei diariamente um ponto de ônibus em Carapicuíba. As pessoas reclamavam da demora e da distribuição irregular das linhas. Quando uma pesquisadora perguntou oficialmente como avaliavam o serviço, quase todas responderam que era bom. A pesquisa mediu satisfação; a realidade mostrava frustração. Esse episódio continua atual porque revela uma limitação recorrente: perguntar não basta. É preciso interpretar o contexto cultural das respostas.

UX: você ainda sabe do que estamos falando? - Interfaces mudam rápido, mas as pessoas não. Entenda por que a verdadeira experiência do usuário acontece na consciência, no contexto e na empatia.
UX: você ainda sabe do que estamos falando? Essa imagem feita por IA (Gemini) retrata o clássico episódio do ponto de ônibus em Carapicuíba: de um lado, a satisfação formal capturada por pesquisas tradicionais; do outro, a realidade vivida pelo usuário no seu dia a dia.

UX é pesquisa, mas também interpretação

Ferramentas como analytics, mapas de calor, entrevistas, testes de usabilidade e métricas são indispensáveis. Porém, nenhuma delas substitui a capacidade humana de interpretar comportamentos. O usuário frequentemente descreve sua lembrança da experiência, não a experiência vivida. Daniel Kahneman demonstrou isso ao distinguir o eu da experiência do eu da memória. Pequenos momentos podem reorganizar completamente a lembrança de uma jornada.

UX: você ainda sabe do que estamos falando? – O que mudou de 2021 para 2026

A inteligência artificial passou a personalizar conteúdos, responder perguntas e antecipar necessidades. Ao mesmo tempo, aumentaram as preocupações com privacidade, confiança, ética e transparência. Aprendemos que eficiência não basta. Interfaces também podem manipular. Os chamados dark patterns mostram que convencer alguém a clicar não significa respeitar sua autonomia. Boa UX depende igualmente de responsabilidade.

Acessibilidade e inclusão

Projetar para diferentes pessoas deixou de ser diferencial e tornou-se requisito. Um projeto realmente bem concebido considera pessoas idosas, usuários com deficiência, baixa alfabetização digital, conexões lentas e dispositivos diversos. Quando um sistema é acessível, normalmente ele também se torna mais claro e agradável para todos.

UX também é jornalismo

Essa discussão extrapola o marketing. Uma reportagem especial pode ser rigorosamente apurada e fracassar se proporcionar uma experiência ruim ao leitor. Organização visual, ritmo narrativo, escaneabilidade, integração entre texto, fotografia, vídeo, áudio e infografia também fazem parte da experiência. O leitor é igualmente um usuário.

Formação humanística

Continuo acreditando que excelentes profissionais de UX precisam conhecer filosofia, sociologia, psicologia, antropologia, comunicação, literatura e cultura brasileira. Técnica resolve problemas conhecidos; repertório ajuda a formular perguntas melhores. O desafio contemporâneo é unir conhecimento tecnológico à compreensão profunda das pessoas.

UX: você ainda sabe do que estamos falando? – Conclusão

Talvez a principal mudança destes anos seja perceber que UX não é uma teoria das interfaces, mas uma teoria da experiência humana. Produtos digitais, reportagens, serviços públicos ou lojas físicas têm algo em comum: todos dependem da forma como as pessoas vivem, lembram e interpretam suas experiências. Tecnologias continuarão mudando. O centro da UX continuará sendo o ser humano.

 

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E esta imagem é do meu livro de contos (ah, e não esqueça: compre meu livro os suicidas e outras histórias!). Alguns desses textos escrevi quando estava em Bauru, no mesmo período em que terminei o projeto de conclusão de curso de jornalismo (Caleidoscópio: documentário dos 100 anos de Bauru em 1995, clique para ver o vídeo). Por exemplo, o conto Cru é ambientado numa cidade do interior (claramente inspirado em Bauru).

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Resumo do que há no livro:

São personagens atormentados, no limite, que buscam, então, amor e precisam conhecer a si mesmos primeiro. Uma homenagem à vida na figura da minha avó materna (em Os Suicidas). Além disso, é uma ironia sobre nossa relação com a mídia televisiva (em Pano de Fundo).

Uma história de amor que não aconteceu (em Sonhos).

Mas não só isso: também é uma análise sobre os diferentes tipos de crueldade (em Cru). A história de uma criança de rua (ou de várias delas) que não se resolve nunca e parece um círculo vicioso (em Longa história…). São reflexões sobre isolamento social desde o nascimento (em A elipse).

Ainda tem uma história metalinguística, sobre aparências, memória imprecisa e pontos de vista (em As deslembranças), com final surpreendente.

Desse modo, sobra o último conto…

… A Rosa. Este faz parte de uma trilogia ainda inacabada (Pátria Amada). É um conto que usa fatos históricos e personagens reais do Brasil para contar algo inventado: por que o mecânico Otávio de Souza escreveu o poema/letra da música Rosa, de Pixinguinha?

Bom, por que, na verdade, ninguém sabe; assim, o conto inventa o motivo.

Portanto, esse é o argumento…

… para criar a história de amor entre Otávio e Rosa. Paralelamente a esse amor, há um pano de fundo: a história do Brasil, no Rio de Janeiro dos anos 10, 20 e 30 do século XX. Muitos fatos no conto realmente aconteceram.

Algo assim como Forrest Gump, interagindo com personagens históricos. Ou algo como no filme Shakespeare Apaixonado, em que os roteiristas inventaram o motivo do dramaturgo ter escrito Romeu e Julieta. Por isso, o conto A Rosa usa, então, a música para contar a história do Brasil e do romance entre Otávio e Rosa.

O projeto ficou tão bom…

… que o autor F. de Amorim (eu mesmo) começou a segunda parte (que se passa nos anos de 1960 a 1970). E ainda fará a terceira. Todos os contos, contudo, representam uma valorização da poesia, do amor, mas não só isso, porque há também suas dimensões no mundo contemporâneo, ainda que muitas das histórias tenham sido escritas na década de 1990.

Desse modo, continue aqui no site e explore à vontade!!

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